sexta-feira, 3 de julho de 2009

Crônica: A Fogueira da Reflexão


Sempre quando passo voltando da faculdade, eu o vejo em frente de uma pequena fogueira improvisada com papéis, pedaços de madeiras e com outros materiais inflamáveis. Um senhor que aparenta ter a idade de meu avô, sentado sozinho em frente às chamas. Com o olhar sereno e compenetrado, acho que ele nem percebe que eu passo todos os dias no mesmo horário – por volta das 23h – e o observo curioso.

Já especulei sobre várias coisas, entretanto, o que aquele ancião faz é o que muitos de nós deveríamos fazer: parar e pensar!. Num mundo onde as pessoas estão cada vez mais sem tempo, sempre correndo para lá e para cá, refletir sobre nossas ações é cada vez mais raro.

Precisamos, em meio a esta correria desenfreada, mesmo que por alguns instantes, parar e pensar: será que dou atenção devida a minha família? Será que tenho dedicado tempo suficiente para curtir meu namoro? Será que não trabalho demais e os meus momentos de lazer estão esquecidos? São algumas questões que devemos refletir com assiduidade, pois envolve elementos essenciais para que possamos viver mais felizes.

O simples fato de refletirmos sobre nossas ações possibilita uma mudança em nosso comportamento e atitudes. Há mais tolerância, paciência, companheirismo e amor. Características essas cada vez menos presentes na sociedade de hoje.

Não sei se aquele senhor teve ou tem a vida tão ocupada como nós, mas o que ele faz todas as noites ininterruptamente em frente à fogueira da reflexão é dedicar uma parte do seu dia para pensar. Quem sabe este não é o tempo mais precioso que ele tem?


P.S: Vasculhando meus arquivos encontrei essa crônica que foi publicada no principal jornal de Belo Horizonte, o Estado de Minas, em 02/09/2008, e achei legal postá-la aqui também.

Um comentário:

  1. Como assim vc tem um texto publicado no EM e nem avisa??

    De qualquer forma, Parabéns e mais sucesso para vc!

    ResponderExcluir